22 de novembro de 2021

Sumário

  • Introdução

  • Conjuntura Macroeconômica (1999-2021)

    • Período I (1999-2003)

    • Período II (2004-2010)

    • Período III (2011-2014)

    • Período IV (2015-2016)

    • Período V (2017-2019)

    • Período VI (2020-2021)

  • Conclusão

Introdução

Introdução

  • Panorâma geral da conjuntura macroeconômica do Brasil entre 1999 e 2021

  • Antecedentes

    • Plano Real (1994) e primeiro governo FHC (1994-1999)
      • Estabilização da inflação
      • Acúmulo de reservas internacionais
      • Reformas liberalizantes
    • Crises nos países emergentes
      • México (1995), Sudeste Asiático (1997-1998), Russa (1998)
      • Ataques especulativos
    • Adoção do regime de câmbio flutuante (1999)

    • Adoção do RMI (1999)

Introdução

  • De acordo com o arcabouço teórico do NCM e do RMI brasileiro, quais variáveis o Banco Central brasileiro (BCB) acompanha e monitora para guiar suas decisões da política monetária?

    • Inflação
      • Nível e tendência, desvios da meta e expectativas.
    • Demanda agregada
      • Hiato do produto
      • Mercado de trabalho
      • Mercado de crédito
    • Ambiente externo
      • Taxa de câmbio
      • Preços de commodities
      • Comércio exterior e reservas internacionais
    • Mercado monetário
  • Choques: transitórios ou persistentes?

Conjuntura Macroeconômica (1999-2021)

  • Períodos de aceleração e de estabilização inflacionária

  • Principais determinantes da inflação no período

  • Importância da taxa de câmbio: como fator acelerador (atenuante) da inflação (ARAUJO; MODENESI, 2010; SERRANO; SUMMA, 2015) e canal de transmissão (SERRANO, 2010)
    • Preços monitorados (até 2006) e bens tradables (especialmente, do grupo de Alimentação e Bebidas)
  • Importância dos preços de commodities
    • Relação significativa com a taxa de câmbio (STOCKL; MOREIRA; GIUBERTI, 2017)
  • Menor relevância da demanda agregada (ARAÚJO; MODENESI, 2010; BRAGA, 2013)
    • Maior influência sobre o mercado de trabalho e sobre a inflação de serviços (SUMMA; SERRANO, 2018).

Conjuntura Macroeconômica (1999-2021)

  • E como o Regime de Metas da Inflação lidou com a inflação nesse período?

    • Altas taxas de juros nominais até 2011 (MODENESI, 2012; BARBOZA, 2015)
  • A partir de 2011, há uma tentativa de alterar a dinâmica da política monetária.

    • Encontra dificuldades em virtude de maiores pressões inflacionárias.
  • Após a crise de 2015 e lenta recuperação econômica, observou-se uma tendência de redução do patamar da taxa de juros nominal.

  • Reversão em 2021 com a recente escalada da inflação.

Análise dos períodos

Período I (1999-2003)

  • Trata-se de um período marcado por inflação relativamente alta, processo de desvalorização cambial e altas taxas de juros nominais.

    • Descumprimento da meta nos anos de 2001, 2002 e 2003.
  • Política monetária
    • Alto nível nominal
    • Variações acompanham a necessidade de controle inflacionário

Gráficos - Período I (1999-2003)

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: BCB, IPEA e FED.

Fonte: CBOE.




  • Descumprimento da meta nos anos de 2001, 2002 e 2003.






  • Inflação de monitorados
    • Crise energética em 2001/02
    • Forte desvalorização cambial em 2002
  • Bens tradables




  • Ciclo de juros
    • Queda até início de 2001
    • Tendência de aumentos até meados de 2003






  • Risco soberano decola em 2002.

Período II (2004-2010)

  • Características do período:
    • Inflação mais baixa e estável, oscilando sobre a meta
    • Processo de valorização cambial
    • Patamar de crescimento econômico mais elevado
    • Contínuo aquecimento do mercado de trabalho, estimulado pelas políticas sociais
    • Crise de 2008
  • Política monetária:
    • Manutenção das altas taxas de juros nominais - isto é, elevados juros reais.

Gráficos - Período II (2004-2010)

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: BCB, IPEA e FED.

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: BCB e FMI.

Fonte: CBOE.

Fonte: BCB e IPEA.




  • Oscilação sobre a meta.










  • Manutenação de altos juros nominais
  • Valorização cambial






  • Queda dos bens tradables



  • Deflação de bens duráveis
    • Economias de escala, câmbio valorizado e inovações (BRAGA, 2013; SANTORO, 2015)
    • Redução do IPI para automóveis em 2008







  • Ciclo de commodities
    • Gêneros alimentícios







  • Cenário internacional favorável









  • Aquecimento da economia

Período III (2011-2014)

  • Características do período:
    • Inflação mais alta, porém relativamente estável, situando-se perto do teto
    • Tendência de desvalorização cambial
    • Taxas de crescimento do PIB menores
    • Mercado de trabalho aquecido
  • Política monetária: ruptura e tentativa de reduzir o patamar da taxa de juros nominal, posteriormente interrompido.
    • Agenda Fiesp (Carvalho, 2018)

Gráficos - Período III (2011-2014)

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: BCB, IPEA e FED.

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: IBGE e BCB.




  • IPCA oscila perto do teto.










  • Ruptura em agosto de 2011
  • Retomada de elevações em 2013






  • Desonerações tributárias e preços monitorados
    • Energia elétrica, CIDE de combustível, IPI de automóveis (2012)






  • Mercado de trabalho aquecido
    • Inflação de serviços



Período IV (2015-2016)

  • Características do período:
    • Inflação bem elevada, descumprindo a meta em 2015
    • Forte desvalorização cambial
    • Recessão econômica
    • Troca de governos e início do período de reformas estruturais
      • PEC do Teto de Gastos (2016)
  • Política monetária: elevações sistemáticas da taxa de juros para o controle inflacionário

Gráficos - Período IV (2015-2016)

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: BCB, IPEA e FED.

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: BCB e IPEA.

Fonte: BCB.




  • Descumprimento da meta em 2015 e forte desaceleração em 2016.







  • Continuidade de elevações da Selic e manutenção em alto patamar
  • Expressiva desvalorização cambial







  • Choque de preços administrados
    • Desrepresamento dos preços administrados (MELLO; ROSSI, 2017)






  • Recessão econômica










  • Fragilização do quadro fiscal

Período V (2017-2019)

  • Características do período:
    • Inflação baixa, descumprindo a meta em 2017 (para baixo!)
    • Lento crescimento econômico
    • Eleições de 2018
    • Continuidade de reformas
      • Reforma Trabalhista (2017)
      • Reforma da Previdência (2019)
  • Política monetária: novo período de reduções da taxa de juros
    • Inflação e nível de atividade baixos

Gráficos - Período V (2017-2019)

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: BCB, IPEA e FED.

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: BCB e IPEA.



- Meta descumprida em 2017 e posterior estabilização







  • Ciclo de reduções da taxa de juros
  • Leve trajetória de desvalorização cambial






  • \(\uparrow\) Preços monitorados
  • \(\downarrow\) Tradables
    • Não duráveis e duráveis






Período VI (2020-2021)

  • Características do período:
    • Crise de Covid-19
    • Recessão econômica
    • Desvalorização cambial
    • Inflação em trajetória ascendente após meados de 2020
  • Política monetária
    • Reduções da taxa de juros
      • Inflação e nível de atividade baixos
    • Aumentos da taxa juros
      • Inflação crescente

Gráficos - Período VI (2020-2021)

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: BCB, IPEA e FED.

Fonte: BCB e FMI.

Fonte: IBGE e BCB.

Fonte: BCB e IPEA.




  • Muito provável descumprimento da meta em 2021






  • Ciclo de juros: queda, estabilização e forte ascendência.
  • Forte desvalorização cambial em 2020 e volatilidade em 2021.






  • Escalada dos preços de commodities, com câmbio desvalorizado
    • Gargalos produtivos
    • Cortes de produção da OPEP






  • Preços monitorados
    • Crise energética em 2021






  • Baixa pressão do setor de serviços.

Conclusão

  • Entre 1999 e 2021, a inflação brasileira apresentou períodos de (relativa) estabilidade e aceleração
    • Importância da dinâmica da taxa de câmbio, tanto como atenuador quanto acirrador
    • Significativo peso dos preços de commodities e monitorados
    • Nível de atividade influencia mais incisivamente pelo aquecimento do mercado de trabalho
  • E a política monetária?
    • Entre 1999 e 2011, manteve-se sob altas taxas de juros nominais
    • De 2011 a 2013, há uma ruptura dessa tendência
    • De 2013 a 2015, volta-se ao “conservadorismo” monetário
    • De 2015 até 2021, trajetória de redução do patamar das taxas de juros nominais
      • Nível de atividade retraído
    • De março de 2021, novo ciclo de elevações da Selic

Conclusão

  • Análise das atas
    • Avaliação da conjuntura, tendência e expectativas
      • Trazer informações mais relevantes
    • Decisão do COPOM
      • Refletindo sobre o conjunto de informações e com base na teoria e empiria, motivação para a decisão

Referências Bibliográficas

BARBOZA, Ricardo de Menezes. Taxa de juros e mecanismos de transmissão da política monetária no Brasil. Brazilian Journal of Political Economy, v. 35, p. 133-155, 2015.

ARAÚJO, E. C. de; MODENESI, A. de M. A importância do setor externo na evolução do IPCA (1999-2010): uma análise com base em um modelo SVAR. XXVIII Encontro Nacional de Economia, Salvador, 2010.

MELLO, G.; ROSSI, P. Do industrialismo à austeridade: a política macro dos governos Dilma. Texto para discussão, Instituto de Economia - Unicamp, n. 309, p. 1–36, 2017.

CARVALHO, Laura. Valsa brasileira: do boom ao caos econômico. Editora Todavia SA, 2018.

SANTORO, J. P. C. A Inflação Brasileira entre 2000 e 2014: um Enfoque Heterodoxo. Dissertação (Mestrado) — Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2015.

MODENESI, A. de M.; MODENESI, R. L. Quinze anos de rigidez monetária no Brasil pós-Plano Real: uma agenda de pesquisa. Brazilian Journal of Political Economy, v. 32, n. 3, p. 389–411, 2012.

BRAGA, J. de M. A inflação brasileira na década de 2000 e a importância das políticas não monetárias de controle. Economia e Sociedade, SciELO Brasil, v. 22, n. 3, p. 697–727, 2013.

MARTINEZ, T. S.; CERQUEIRA, V. dos S. Estrutura da inflação brasileira: determinantes e desagregação do IPCA. Texto para Discussão, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 2011.

SERRANO, F. Juros, câmbio e o sistema de metas de inflação no Brasil. Brazilian Journal of Political Economy, SciELO Brasil, v. 30, n. 1, p. 63–72, 2010.

SUMMA, R.; SERRANO, F. Distribution and conflict inflation in Brazil under inflation targeting, 1999–2014. Review of Radical Political Economics, v. 50, n. 2, p. 349–369, 2018.

CARVALHO, S. S. de. Construção de séries longas de alta frequência de indicadores do mercado de trabalho com a PME e a PNADC. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 2016.

STOCKL, M.; MOREIRA, R. R.; GIUBERTI, A. C. O impacto das commodities sobre a dinâmica da inflação no Brasil e o papel amortecedor do câmbio: evidências para o CRB Index e Índice de Commodities Brasil. Nova Economia, v. 27, n. 1, p. 173–207, 2017